terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Balanço de 2010


Pois é... quase um ano sem escrever aqui... eu asteróide, e meu asteróide andamos evitando um ao outro. como que não querendo colidir as rotas. Eu na verdade me tornei devido a uma série de acontecimentos um asteróide à deriva, meio sem galáxia, totalmente sem rumo. E meu asteróide aqui, obediente, ficou parado em meio ao Cosmo virtual, como que esperando que eu me encontrasse, para que então nossas órbitas pudessem se reaproximar. ´




É o que eu estou tentando fazer hoje, 28 de dezembro, a poucas horas deste ciclo solar de 2010 terminar.




Meu balanço deste ano foi bom. Aprendi que não posso dominar os acontecimentos, coisa que de fato eu já sabia, mas que fingia não lembrar. Aprendi que um amor prescinde de luta... quando a gente deixa o amor fazer o que ele bem entende, ele volta para você caso o ame de verdade. O meu voltou, quando eu já estava buscando outro caminho, descrente de um entendimento. Se voltou é porque me ama e eu o amo, e um recomeço como todo recomeço cheio de dificuldades e de momentos mágicos. There´s a kind of magic!




A minha busca do Graal teve seu início, foi atrás de meu eu em uma viagem analítica que teve uma pausa, mas tem hora para recomeçar. Não vejo a hora. Todo mundo deveria provar a delícia (e a dor) de SABER quem se é. Ainda que por instantes, dados que a gente muda tanto que nem nós mesmos conseguimos nos acompanhar.




Aprendi, através de leitura e percepção, que algumas das pessoas que a gente acha que são nossos inimigos, são as que mais nos proporcionam o auto-conhecimento. Inimigos são guardiões de limiar, e passei por alguns limiares importantes este ano. Agradeço aos que me ajudaram a aprender pelo amor e igualmente aos que me ensinaram pela dor. Que tenham crescido tanto quanto eu acredito ter crescido. Mas não nos iludamos. O caminho indicado sempre parece maior do que o que percorremos até aqui. Nossa jornada continua, por vezes árdua, por vezes serena... mas cheia de meandros e momentos de imensa riqueza.




Em 2010, aprendi que sou capaz... que aquele cara que eu sonhava ser eu posso ser, e melhor ainda do que eu pretendia. Isso é bom quando temos os sonhos de diversos tamanhos, não desprezando os sonhos impossíveis, é sempre bom ter um bom número de sonhos possíveis, para que a sensação de triunfo tão necessária à nossa humilde condição humana não seja assim tão rara de acontecer.




E falando de sonhos impossíveis, até eles, pobres gigantes, são bem possíveis. Conheci um ídolo de infância, a melhor cantora dentro do meu gosto e admiração musical e pessoal, a eternamente linda Olivia Newton-John... e troquei algumas palavrinhas com ela, quem diria...




Atitude positiva. Não se basear pelas conquistas dos outros, ter planos, obejtivos, ilusões e sobretudo amor próprio. Isso por si não garante uma sucessão de êxitos, mas ao menos nos dá força para lidar com o que não atingimos. O que não significa que se deva desistir. Adiar um sonho não é desistir dele. Conhecer Olivia eu sonhei com treze anos, realizei aos trinta e seis, em um momento em que nem dava mais tanta atenção a isso.




Profissionalmente. Fazer o que se gosta é fazer com amor. Traçar metas e manter os objetivos é fundamental. Adoro festas e diversões, mas o que a gente se dispersa nessas ocasiões faz falta um tantinho mais à frente. Estou começando a aprender a dosar isso. É estranho, mas quando a gente vê, ser focado não é ser triste. Isso em mim que sou um tremendo arroz de festa, pode soar estranho. E é estranho mesmo, mas estranhamente funciona.




Aceitar meus defeitos... Caramba! isso é muito difícil... Adoramos nos imaginar perfeitinhos, mas cá pra nós, saber que não o somos e encarar o que temos que mudar dói igual a uma gastrite. Mas se não tratarmos vira úlcera. Outro ponto. Consegui dar o primeiro passo.




Enfim, perdão... o mais difícil de tudo... ainda não consegui perdoar muita coisa, coisa que talvez nem caiba a mim perdoar... e perdoar meus próprios erros então nem se fala... mas quando voltamos àquele ponto de nos achar perfeitinhos e cair na real que não somos, ajuda muito. No final do ano que vem quero estar alguns estágios adiante nesse aspecto.




Quero deixar aqui um beijo enorme às poucas pessoas que talvez leiam isso. E dizer que 2011 vai ser melhor ainda do que foi 2010. Vamos aprendendo no caminho é isso não tem preço e nem volta.




E pra quem conhece uma das minhas grandes conquistas de 2010, o Quinteliê, voltaremos em breve com mais novidades!




Feliz Ano Novo! Feliz Ano Todo!




sábado, 6 de fevereiro de 2010

Bandidos ruins


Acabo de voltar do mercado com meus itens essenciais de dieta líquida (Gatorade, Coca Light Plus... ah sim, vodka e energético) e escutei dois "brothers" comentando: "Bandido ruim morre cedo.". Oras, achava que todos os bandidos eram ruins... Alguém sabe o que é, ou onde tem um bandido bom? Além do mais, tem alguns bandidos que atuam legalmente, escolhidos pelo povo. Estes não morrem cedo, pelo contrário. Alguns estão aí há gerações... Não são ruins? São bons? Novamente, alguém que saiba resolver esta "equação" por favor, me leve à luz.


E por falar em escolhas... eleições se aproximando. Não é por nada, mas creio-me de uma incompetência ancestral. Sempre acho que escolho errado. Creio que a humanidade escolhe mal desde sempre. Afinal, a eleição mais antiga que eu consigo lembrar agora foi uma disputa entre Barrabás e Jesus. Não é de hoje que escolhemos bandidos.


To indo pra balada daqui a pouco. Dançar pra não dançar. Pra não pirar.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Lula ou rabada?



Mesa de bar.



Adolfo - Garçom, pra mim uma porção de "lula a dorê", por favor... E você amorzinho, o que vai ser?



Eva - Pra mim, uma "rabada com agrião", que eu não vou ficar na porçãozinha não... To com uma fome...



Adolfo - Isso então, rapaz. Ah, e dois choppinhos, sem colarinho, óquei?



Garçom - Pois não!



Tempo. Chegam os pratos.



Adolfo - Prova aqui amor! Tá bom...



Eva prova. Pensa. Toma um gole de chopp.



Eva - Me desculpe amor, mas hoje a Dona Marisa tá dando de dez no marido.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Ele voltou

Mário Bortolotto está de volta. E com força total!
http://www.atirenodramaturgo.zipnet.com/

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Entre a lua e São Paulo


Se imagine saindo de uma situação que partiu o seu coração. Você está sozinho superando uma série de dificuldades, com uma baita vontade de que o ano acabe logo pra zerar e deixar tudo pra trás de uma vez.


Nem pensa em ter ninguém, quer mais é o sossego de não ter alguém para partir deixando-o no vazio.

Se imagine então encontrando amigos, bebendo uísque em uma cobertura com uma vista estonteante da madrugada paulistana e um luar de fazer qualquer um querer uivar no telhado.

Se imagine agora encontrando um par de olhos que entram em você e não saem nunca mais.

Diz uma música... "se você está entre a lua e a cidade de Nova York, o melhor que você tem a fazer, é se apaixonar".

Nem mil Nova Yorks iluminadas deixariam a noite que eu descrevi mais bonita.
Entre a lua e São Paulo... o melhor que se tem a fazer é se apaixonar.
Levemente embriagado, entregue. Não há retorno.

Ah, a música...


BEST THAT YOU CAN DO - ARTHUR´S THEME - Cristopher Cross

(Vencedora do Oscar de Melhor Canção para o filme "Arthur, o milionário sedutor")


Finalmente você a encontra

Um alguém que realmente te toca

E quando você menos espera você está

Fazendo tudo por ela

Quando você acorda e aquela sensação continua

Mesmo tendo-a deixado do outro lado da cidade

Você se pergunta

"Afinal, o que foi que encontrei?"


Quando você se vê entre a lua e Nova York

Sei que parece loucura, mas é verdade

Se você ficar entre a lua e Nova York

A melhor coisa a fazer é se apaixonar.


Arthur faz o que mais lhe agrada

Em toda a sua vida pessoas escolheram por ele

Protegendo seu coração

"Ele é apenas um menino"

Vivendo sua vida aos poucos

E fazendo-se notar

Que lindo e bom tempo

Achando graça do que as pessoas queriam que ele fosse


terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Feliz Natal


Natal. Adoro.


Mas pense bem. Nos reunimos ao redor de uma árvore morta, ou agonizando... quando não artificial. Ao seu pé vários pacotinhos com presentes não raro "made in China", fabricados por felizes criancinhas remuneradas com dois dólares por semana...


Depois, vamos todos para a mesa. Nela repousam pedaços de animais mortos. Aves, porcos... Mas também, frutas secas, doces... Todos confraternizamos, bebemos, e vamos dormir empanturrados, num sono inquieto, mas felizes.


Acordamos e iniciamos uma via sacra visitando parentes, ouvindo gracinhas sobre nossos quilos a mais, sobre nossos cabelos a menos. E seguimos.


Depois Ano Novo! O ritual se repete ainda mais animado, já todo mundo chutando o pau da barraca...


E chega janeiro, nossa calça favorita não entra, nosso décimo terceiro já se foi, chegam as faturas do cartão, caem os cheques pré...


E ainda assim amamos esta festividade. Um feliz Natal pra todos... Feliz Natal.


Obrigado Giovanna, pela inspiração!


Vaidade


Adoro quando curtem o que eu escrevo. Mas nem sempre curtem. Aliás... nem sempre é eufemismo. Qual a diferença entre "nem sempre" e "quase nunca"?


Não sou malhado nem belo. Minha vaidade mora na ponta de meus dedos... No teclado, note bem.


Resta continuar malhando... Uma hora fico saradinho.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Sem Facebook...




Em sua mesa, Fernandes beberica seu uísque enquanto observa curioso o diálogo entre dois rapazes que bebem cerveja na mesa ao lado. Eles aparentam ter vinte anos, vinte e um no máximo, o que seria um terço de sua idade...

Edu - Iraaado Zeca, você perdeu... devia ter ido. Só eu peguei quatro!

Zeca - Aê Edu! Se você com essa cara de mané pegou quatro...
Edu - Coé, leke? Tá me estranhando? Mas e aê... por que não foi?

Zeca - Tu não vai acreditar... Fiquei sem internet... fiquei uns três dias sem entrar no Facebook, aí já era... Por que tu não me ligou?

Edu - Vacilão hein? Não tem grana pra lan house? Como eu ia saber que tu não tava com internet? Justo você...

Zeca - Pois é... Fico imaginando como esse povo que já passou dos sessenta se virava pra saber das paradas... As festas deviam ser bem mais vazias... Ou então neguinho passava dias no telefone chamando a galera... (ri)
Edu - Se liga... imagina! Mané ia dar a festa e saía distribuindo flyer "xerocado" (ambos riem, já bem alegrinhos por causa do chopp)

Nesse momento olham pra Fernandes, que também já mais sociável por conta do uísque diverte com os comentários... Os dois ficam meio sem graça. Fernandes levanta-se e vai até eles:

Fernandes - Falaí "leke"... Na minha época não tinha flyer... a gente distribuía panfleto, mas de protesto... E não tinha essa de Xerox... era tudo no mimeógrafo!

Edu e Zeca se olham meio sem graça, mas querendo rir.

Fernandes - Ah, e a propósito... a gente telefonava pra chamar pras festas sim... Mas no geral não precisava... A gente se encontrava no Posto 9, sacoé?

Nesse momento Fernandes vê Caetano Veloso entrando no restaurante e vai cumprimentá-lo.


sábado, 5 de dezembro de 2009

Atiraram no dramaturgo


Faz mais de dois meses que eu não posto nada no meu asteróide... Em meio a uma crise emocional e existencial, surgiu uma crise criativa, e tá aí... dois meses sem nem uma palavra.

O que me tirou desse torpor foi a notícia que eu acabo de receber... Um dos caras que eu mais admiro no cenário cultural paulista foi baleado esta madrugada durante uma tentativa de assalto no Espaço Parlapatões. Mario Bortolotto está internado em estado grave na Santa Casa após receber três tiros na região torácica.

Só para ter uma idéia de como isso me afeta, ele foi o cara que eu me mirei para criar este blog. Foi lendo o blog dele que eu tive finalmente a iniciativa de ter um blog (já tinha tentado antes sem êxito), e escrever textos mais livres. Sou seguidor do blog dele, curto mais até do que suas peças (que gosto também, mas conheço menos), e compartilhamos também uma admiração enorme por Jack Kerouac e tudo o mais que cerca o que convencionou-se de chamar literatura beat. Coincidência ou não, por volta de cinco da manhã eu estava navegando na web, quando acessei o orkut e resolvi mudar o meu "quem sou" para o seguinte texto : "um beatle, um bitolado, um beatnik". Foi mais ou menos a hora em que ele era baleado.

Estou triste, com medo e chocado. Conversei com a Cris agora que mora em cima do Espaço, e ela disse que ouviu a confusão... Mario não costuma levar desaforos, e àquelas alturas já devia ter tomado várias, acabou enfrentando os bandidos.

Onde a violência vai chegar? Sei que a cada nova notícia como essa que recebemos já é quase automático dizer esta frase inútil. Inútil como pagar nossos impostos, inútil como jogar nossos votos na lata de lixo eletrônica de tempos em tempos. Inútil como esperar que as autoridades tenham pulso para resolver os problemas, quando há tanto dinheiro para enfiar nos bolsos, cuecas e meias... no... deixa prá lá.

Só posso dizer que estou com muito medo, medo de que esse cara que eu admiro e esperava um dia conhecer se vá, no auge de sua força criativa. Ele atua, dirige, escreve peças, mantém seu blog e ainda tem uma banda. Mario, saia dessa por favor.

Essa foto ao lado eu tirei em maio, na virada cultural e o encontrei no mesmo Espaço Parlapatões, e já bem bêbado, cheguei até ele e falei "Fala Kerouac brasileiro! Tira uma foto comigo?". Ele deve ter me achado um babaca, mas tirou a foto, da qual me orgulho.
O último post no blog dele, irônicamente intitulado "Atire no Dramaturgo", tem a seguinte frase:
"E eu voltei pro bar. Quando ninguém mais acreditava que eu pudesse voltar. Eu tinha tudo pra não voltar, né? Mas eu sempre volto."

quinta-feira, 1 de outubro de 2009


INDECENTE

Estrias de luz entravam pela janela escrevendo na parede que mais um dia terminava. Não conseguiu lembrar o motivo de estar ali. Faltou-lhe o ar e ele estendeu a mão para acionar a campainha.
...
Inspirou uma grande quantidade de ar, como se quisesse beber cada estrela daquela noite indecente de tão linda. Indecente. Era este para ele o maior elogio que qualquer coisa que fosse elogiável poderia receber. "Ahhhh...." – gritou sabe-se para quem naquela rua deserta. "Uhhhhh...'' respondeu um bêbado ao longe. "Ô raça unida esta nossa, hein?" gritou depois de uma sonora gargalhada. Não distinguiu direito a resposta, provavelmente um desaforo, pois já dobrara a esquina chegando à rua da praia. A lua, agora imensa dominava toda a paisagem despejando seu licor prateado pelo mar... Não entendia a tanta alegria que sentia. Deveria ser diferente afinal de contas acabara de tomar um fora. E depois do fora, tomara muitos e muitos copos de vinho barato. Deveria estar deprimido e triste ainda mais com uma noite tão... indecente! Mas não. Sabia que agora estava livre para sofrer de novo com uma nova idéia de amor. "Pois amor nada mais é do que uma idéia" . raciocinou como podia. "Realizado, perdem-se os argumentos, a idéia passa a ser realidade.. E a realidade geralmente destrói as melhores idéias". Decerto nesta conclusão residia também algum rancor político. "Dane-se! Será que minha revolta não pode ser diferente? Afinal quem sou eu para morrer de amor? Quero mais é morrer de rir..." E riu mesmo, conseguindo extrair alguma graça de seu sofrimento que neste ponto não sabia mais se era ainda sofrimento.

Conhecera Maria há duas semanas, e estava inequivocamente apaixonado. Alimentou uma quimera por duas semanas, mas a jovem na ânsia de aventura cansou-se do pobre rapaz dado aos livros. O filho do delegado, viajado e sedutor encantou mais a garota simples, que do mundo queria mais, muito mais do que ser indecentemente comparada à lua e às estrelas.

E agora, sentado na mureta de uma praia desta pequena cidade litorânea, que pode ser aqui perto, ou lá longe, ele se questionava por estar tão feliz. Não a amava? Decerto... Mas estranhamente não era uma sensação de perda que o dominava, o que seria então?

Saltou da mureta. A lua, indecente ainda, continuava a despejar sua prata no mar. Caminhou pela orla até chegar na ponta da praia. À esquerda, mais adiante, começaria um território que para ele ainda era desconhecido. Proibido... Depois das casas pobres, começava a zona de meretrício da cidade. Ele ainda não conhecia mulher. Andou curioso e atento, até que uma delas, cuja idade não se poderia jamais adivinhar lhe despertou o interesse. Foi com ela, e uma nova vida se abriu aos seus sentidos. Nada que se comparasse às carícias roubadas, aos beijos rápidos. A mulher sem pudor mostrou-lhe a porta de um mundo de sensações que ele sequer sabia existirem. Acostumada aos homens rudes, ao jogo rápido, encantou-se com o rapaz, extraiu-lhe confissões, e as fez também. Nada quis cobrar, sentia-se feliz. Mas o proibiu de voltar lá. Ao despedir-se estava apaixonada. Não entendeu quando ele acariciou-lhe delicadamente o rosto em despedida, sussurrando com ternura que ela era indecente.
Ele decidiu então que aquele lugar em que vivia não mais lhe bastava. Escreveu ao padrinho na cidade grande, e para lá se foi. Empregou-se. Estudou. Formou-se jornalista. Tornou-se escritor. Amou muitas vezes.

Anos depois, de volta à terra natal reencontrou família e amigos. A mulher da vida mudara-se dali e ninguém mais dela sabia. Maria, agora casada com o filho do delegado em nada lembrava a doce vilã que o lançara à fortuna. Depois de quase duas décadas ela nem lembrava mais das duas semanas que mudaram a vida do homem que lhe apertava a mão e acariciava o cabelo de seus filhos.

Passou por lugares que amara, nas casas que freqüentara, na praia onde outrora namorara. Nada mais era igual. Até a lua tão indecente derramando ainda prata no mar, parecia ter mudado.

Figura na cidade, falado nas rodas de conversa quando aparece no jornal. Filho da terra.

Foi embora e não quis mais voltar, queria ter na cabeça que nada mudou. Veio o amor maduro, vieram os filhos e vieram os netos.
...
Lá fora uma noite indecente. A luz do sol ainda tingia de vermelho o horizonte, e vermelho ainda era o licor da lua, derramado no firmamento. Tempo bom para um passeio.

Nem notou quando ela abriu a porta... Tentou ver-lhe o rosto. As pernas há alguns meses já imóveis o surpreenderam erguendo-o quando ela lhe estendeu a mão. Desligou-se dos tubos e dos aparelhos, estranhando o fato de respirar tão bem. Foi então que viu a face dela. "Engraçado" – pensou – "Os grandes momentos da minha vida acontecem quando estou ao lado de uma mulher indecente de linda..."

E foram embora, sem olhar para trás.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O que é saudade?


O que é saudade? Carinho de mãe, brincadeiras, as coisas que eu acreditei... a bicicleta que ganhei no Natal, quando já desiludido deitei-me em minha cama após a ceia.

Saudade é a adolescência, sonhos, fantasias, crises de riso voltando da escola, a emoção daquela tradução de música...

Saudade é despedida, saudade é partida...

Hoje minha casa está mais espaçosa. Cheia, é verdade, de recordações. Coisas chatas, brigas, esperas, noites mal dormidas... Mas também de riso, vinho e macarrão, pipoca, DVD, loucurinhas...

Hoje soube que mais um amigo se foi. Este há um ano, mas a distância a que nos impõe o destino, fez com que há muito não tivesse notícias dele. Até mais Fábio... Tchubi, um cara engraçado, malandrão, cheio de vida e com um coração enorme... É assim que lembro de você, guri.

Hoje eu sei que estou aqui. Amanhã... o que sabemos do amanhã?

Não tenho piadas nem ironias para o dia de hoje. Tenho saudade.

E esperança no que a vida possa me trazer de coisas novas. Ainda que essas coisas um dia serão apenas... saudade.

domingo, 6 de setembro de 2009

Não tem pra Lázaro nem Milton


Esqueça "Rainha Diaba". Esqueça "Madame Satã".

Tema "Leona, a assassina vingativa".

Tá no youtube. Uma vilã mezzo Flora Pereira mezzo Nazaré Tedesco tenta matar uma suposta testemunha do assassinato de seu marido, e o que se vê é uma sucessão de clichês de teledramaturgia na mais pura linha trash... Rolei de rir.

Os personagens são quase todos mulheres, e os atores, quase todos do sexo masculino. Com exceção da personagem "Escrivã Naná", que é interpretada por uma garota, que é um pouco mais que figurante.

Sério, dá medo. Esse grupo de crianças autênticas (empregando aqui o sentido amplo da palavra) representa com uma verdade absurda. O ator que faz a Leona apanha o tempo todo. Tive uma crise de riso mais aguda quando vi o episódio 3, já mais bem produzido com figurino, mais cenários...

O pior de tudo é que o menino é bom ator. Ou seria o melhor de tudo? Enfim, se é para ser trash...


sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Perfume para o trânsito em Sampa!


Ontem o trânsito nos arredores da Ponte do Limão em São Paulo ficou congestionado por mais de duas horas por causa de um frasco de perfume.


Eis trecho da notícia publicada no site do jornal "O Estado de São Paulo"


"A suposta granada colocada na Ponte do Limão na manhã desta quinta-feira, 27, era um frasco de perfume. O objeto foi jogado no local por duas pessoas que saíram correndo em seguida, de acordo com uma testemunha. Na internet, o frasco do perfume é encontrado por R$ 135. A suspeita de uma granada na ponte deixou o trânsito muito complicado na região durante toda a manhã.

A Ponte do Limão foi liberada por volta das 12 horas. Policiais do Gate tiraram a suposta granada e afirmaram que não havia material explosivo. O artefato foi levado até a sede do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate).

Por causa da suspeita de bomba, uma pista da ponte e as alças de acesso foram interditadas. No entanto, todos os bloqueios já foram liberados. Apesar da liberação, o trânsito ainda está complicado na região, que fica na zona norte de São Paulo."


Achei uma jogada de marketing genial! O anúncio diz que o perfume é feito "para agradar os homens de caráter forte, criativo e impulsivo". Ora, qual a maneira mais forte, criativa e impulsiva de divulgar um produto desses se não chamar um esquadrão especializado em desarmamento de bombas, com aqueles figurinos exóticos, e parar o trânsito de uma região movimentada como a da Ponte do Limão durante praticamente uma manhã? Tacada de mestre! De quebra, a foto do produto sai em todas as mídias "di grátis".



Tempos Pós-Modernos (com ou sem hífen?)


1982


Garoto de 6 anos - O que é isso? Um rato?


Irmão de 8 anos - Não... um girininho, numa foto ampliada!


2009


Garoto de 4 anos - Mentira! Isso é um mouse!


Irmão de 6 anos - Tô falando que é porra, cara! Só que vista no microscópio!


quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Ao amigo que se foi...

Meu amigo,

Na franca ascenção de seu poder criativo, no topo de sua juventude, em pleno verão da existência... você partiu. Há mais de um ano que eu não o via, mas os nossos esporádicos encontros sempre foram repletos de alegrias, saudade represada, e vontade expressa de trabalharmos juntos um dia. Eu admirava o seu talento, e sabia que você enxergava algum em mim. Era uma admiração recíproca.

Agora, tão repentinamente você volta ao pó. Mas sua trajetória me marcou e marcou a muitos, muito mais do que a mim. Fica a saudade. A dor passa, eu sei, mas a lacuna fica, preenchida apenas por lembranças, que nem o tempo vai poder levar.

O tempo.

Eu queria ter tempo agora de abraçar todos os meus amigos, me deixar abraçar. Tudo é tão fugaz nessa vida, e ver um cara talentoso como o Ivan Kraut ter sua passagem aos 31 anos é no mínimo assustador. Eu não sabia que eu o perderia tão cedo. Queria poder dar mais um abraço. Não pude.

Quero abraçar todos os meus amigos, sempre a todo instante, com medo de que mais algum se vá. Quero abraçar aquelas pessoas vivas, mas distantes de mim. Quero abranger o tempo e o espaço para que ninguém mais ouse me deixar sem dar um tchau. E eu não quero dar tchau, para mais ninguém, quero que todos fiquem. Soa infantil, eu sei. É infantil. Sou infantil.

Vai meu amigo. Segue seu rumo agora em outro plano. Prefiro acreditar que você está começando uma linda jornada agora, e que um dia nos veremos de novo.

Para você eu reproduzo aqui o trecho final do meu primeiro (e até o momento único) conto, "Indecente". Leva meu abraço Ivan. Sua lembrança fica.

"Lá fora uma noite indecente. A luz do sol ainda tingia de vermelho o horizonte, e vermelho ainda era o licor da lua, derramado no firmamento. Tempo bom para um passeio.

Nem notou quando ela abriu a porta... Tentou ver-lhe o rosto. As pernas há alguns meses já imóveis o surpreenderam erguendo-o quando ela lhe estendeu a mão. Desligou-se dos tubos e dos aparelhos, estranhando o fato de respirar tão bem. Foi então que viu a face dela. "Engraçado" – pensou – "Os grandes momentos da minha vida acontecem quando estou ao lado de uma mulher indecente de linda..."

E foram embora, sem olhar para trás. "
(escrito em 2005, no Rio de Janeiro)

terça-feira, 25 de agosto de 2009

ANTES DE COMEÇAR A NAMORAR, PERGUNTE PELO TWITTER


De acordo com uma pesquisa realizada pela agência Bullet, a maioria (61%) dos usuários do Twitter no Brasil é composta por homens na faixa de 21 a 30 anos, solteiros, localizados nos estados São Paulo e Rio de Janeiro. Na maior parte, são pessoas com ensino superior completo e renda mensal compreendida entre R$ 1001 e R$ 5000.


Mãe antenada já manda: "Mas e esse moço, filha? é bom mesmo? Tem twitter?"


De onde estou


Meu asteróide é só um asteróide. Mas dele posso ver todo o universo.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Doação de namorados


Cíntia – Oi Raquel, onde você vai assim produzida?

Raquel – Querida, vou ao Lar Esperança, ver se encontro alguma coisa pro inverno...

Cíntia – Que é isso? Sem dinheiro pra comprar roupas amiga?

Raquel – Nada, vou ver se tem um namorado usado. Não ta sabendo da campanha?

Cíntia – Não... o que é?

Raquel – “Doe um namorado no inverno”. Começou faz tempo, mas ainda deve ter alguma coisa que preste. Funciona assim: sabe aquele namorado que você não usa mais, que já não veste bem, saiu de moda, ou então ta gasto? Tão deixando nos postos de troca. É só pegar.

Cíntia – Mas você não estava com o Rodolfo?

Raquel – Deixei no Colégio Anunciação ontem. Ah, não dava mais, tava muito largo, e além do mais descobri que todas as minhas amigas já usaram. Até você, que eu sei!

Cíntia – Maldade Raquel! Nunca..

Raquel – Não esquenta amiga. Se quiser ta lá, deixei ontem, e duvido que antes da xepa alguém pegue. Agora to indo ver se tem outro que me sirva. Tem gente que dispensa cada coisa boa.

Cíntia – Não sei... Acha que eu deva doar o Célio e tentar um outro? Se tão doando é porque não querem mais, eu vou querer?

Raquel – Não custa tentar querida. Mas não esqueça... Doou, não tem volta... sabe aquela mania de achar que tudo o que está nos outros é melhor? Pois é, não adianta amanhã cruzar com alguém usando o Célio por aí e querer pegar de novo, que já era. Tem outra dona.

Cíntia – Bom... O verão logo ta aí mesmo né? Vou pensar.

Raquel – Então ta querida. Vou andando que parece que o Lar Esperança é o posto mais concorrido. Só doação de bom gosto. Se eu der sorte pego um de etiqueta italiana.

Cíntia – Ciao querida, obrigada pela dica.

Raquel – Só mais uma coisa. Já usei o Célio também. Tá meio frouxo na cintura. Troca.

Eloísa Mafalda volta a atuar


Aos 85 anos, Eloísa Mafalda aceitou participar de um curta ao lado de Emílio Orciollo Neto, por se tratar de uma história leve e também porque o tempo de duração das filmagens era curto. Compreensível para uma atriz excepcional que teve grandes sucessos ao longo de seus mais de sessenta anos de carreira, como Maria Machadão de “Gabriela” (1975), Dona Nenê de “A Grande Família” (1972) e a inesquecível Dona Pombinha de “Roque Santeiro” (1985). A atriz teve sua última aparição em novelas em uma participação em “O Beijo do Vampiro” (2002), e ultimamente tem preferido não aparecer publicamente.


O curta “Obrigada” foi dirigido por Giancarlo di Tomaso, e conta a história da idosa Odeth (Mafalda) que vive numa cadeira de rodas, e não recebe atenção do filho Cláudio, interpretado por Orciollo.

Dois Carlinhos, um final... feliz?


Ser abandonado pela mãe, e na possível iminência de se tornar milionário reencontrá-la diante das câmeras de TV. Final feliz? Não sei. Mas estas situações mal resolvidas, que geram traumas para toda uma vida necessitam de um final, seja ele satisfatório ou não. Não estou totalmente por dentro da história do Carlinhos Silva humorista, mas de uma certa forma, baseado em minha própria vivência em dramas familiares, fico feliz que tenha se chegado a um desfecho, um fim. Ainda que este fim (alimentado pela ânsia da mídia sensasionalista) seja o começo de um novo drama. E claro, as feridas sempre deixam cicatrizes. O passado não muda, e nem a dor de ter sido abandonado desaparece, mas o reencontro, o acerto tem realmente um “quê” de ponto final.

Outra história não menos explorada pela mídia (embora com um enfoque infinitamente menos sensacionalista) não teve um fim. Um seqüestro que no último dia 02 de agosto completou 36 anos, tem características que até hoje confundem e dividem a opinião pública. Há quem tenha certeza da responsabilidade dos pais, mas esta história dificilmente terá um desfecho, satisfatório ou não. Essa mãe, tenha ou não responsabilidade sobre o desaparecimento do filho jamais terá a chance que a mãe do participante do reality show teve de reencontrar o filho.