sexta-feira, 10 de julho de 2009

A Prima do Chico Buarque...


Manhã em Copa.


Aguardo o sinal abrir para atravessar com minhas sacolas de mercado, quando ouço a voz feminina atrás de mim:

- “Deixe o coração falar” é uma peça de teatro?

Olho para a mulher, de no máximo cinqüenta anos, aguardando minha resposta com interesse. Rapidamente começo a procurar no alto alguma faixa onde ela possa ter lido o título, olho para o vidro traseiro do ônibus na minha frente, e ela percebendo-me atordoado revela:

- Está escrito na sua camiseta.

Lembro então que estou usando uma camiseta do filme “Os Desafinados” de Walter Lima Júnior, a frase citada está nas costas. Não ia achar nunca.

- Ah, não... é um filme! Na verdade chama-se “Os Desafinados” .– respondo.

- Do Walter Salles?

- Não, do Walter Lima Júnior.

- Ah... vou procurar o Walter Salles. Meu avô sentou muito com o pai dele no chão, quando trabalhavam no banco...

- ?

- Eu vou procurar sim, pedir patrocínio. Vou mesmo. Sou prima do Chico Buarque, mas nunca pedi nada, que eu não gosto de ficar pedindo. Mas agora vou pedir sim...

- ?

- Ah, já fui falar com a Marieta Severo, com aquela louca da Andréa Beltrão, vou procurar o Walter Salles também, ele vai ter que me ajudar. Vou pedir pra todo mundo me ajudar, eu escrevo, vou me meter com essa gente de teatro, escrevo desde os dezoito anos.

- Legal... Você....

- Cansei sabe? Dei mole. Você é ator?

- Sim, sou, mas faz um tempo que eu deixei de atuar.

- Ah, mas eu lembro de você. Já vi alguma coisa sua! Você é do Sul né?

Legal! Estou sendo reconhecido na rua! Por alguém que nunca me viu...


- São Paulo. Talvez você esteja me confundindo porque...

- Ah São Paulo! Fala cantado, pensei que era de Santa Catarina... Eu estou acostumada a mandar Sedex pro Sul, conheço o sotaque.

Nesse ponto me questiono (em silêncio como pode-se supor) sobre o que o fato de mandar Sedex para algum lugar auxilia a identificar o sotaque. Vou viver cem anos e descobrir que não sei nada da vida...

- Conheço também o sotaque de Maceió que é a terra da minha mãe...

Então o Chico Buarque tem uma tia alagoana! Acho que deve ter isso em alguma música... não... se não me engano ele falava que o avô era pernambucano. Que seja...

- Ah, todo mundo vai ter que me ajudar. Escrevo desde os dezoito anos. Fui boba. Fui fazer Direito, agora meus clientes todos morreram.

- ?

- Eu não tenho mais clientes. Tudo marginal menor de idade, malandro que morre com 21 anos... não tem mais nenhum vivo.

Sei que devia ter pensado isso nas primeiras frases dela... mas nunca é tarde: esse papo tá meio estranho.

- Bom, eu atravesso aqui. Boa sorte com suas peças...

- Ah, obrigada! A gente ainda vai se falar muito.

Sinceramente? Espero que não.




SET LIST
Isso aqui tá muito bom - Chico Buarque e Dominguinhos
Heal the pain - George Michael
Come anytime - Hodoo Gurus
I Santo California - Tornero
Jack Johnson - Middle Man
Joan Jett - I love rock and roll

quinta-feira, 9 de julho de 2009


Começando. Terceiro dia de atividade física, já não é tão difícil levantar da cama. O ritual do café da manhã, na mais completa solidão tem um efeito terapêutico. Andava esquecido do que era estar só. Não que nos meus últimos meses eu tenha tido tanta companhia, mas uma coisa é estar só e ansioso, triste até, esperando por alguém que não chega. Outra coisa, e é disto que eu estou falando, é aquela solidão que inspira, leva à reflexão.

Café tomado, protetor solar, ânimo satisfatório e lá vou eu.

Copacabana é linda. Caminhando antes das oito da manhã o que se vê é um desfile de personagens e histórias (todas supostas por mim, óbvio) que dariam para encher páginas. Nesta hora ainda jovem caminham as pessoas que dormem cedo, que trabalham cedo, e que têm uma preocupação mais profunda do que apenas manter um corpo atraente e bronzeado.

No Leme um grupo de senhoras (a mais jovem aparentava uns sessenta e cinco anos) realizam uma estranha movimentação que aos poucos adivinho ser uma espécie de ginástica. Observando bem, localizo a líder ou professora, que é quem faz primeiro os movimentos. Depois as outras repetem, cada uma a seu modo, usando aquela liberdade que só tem quem já não se importa com quem olha, e fica uma linda confusão de cabelinhos beges, roxos e brancos adornada por bracinhos frágeis cobertos por malhas finas a moverem-se livremente, cada uma imaginando estar seguindo à risca os movimentos propostos. Sou tomado por uma onda de carinho, e por pouco não corro a abraça-las, eu mesmo saudoso de minha mamacita, que também tem uma coroa branca de sabedoria...

Passo adiante, ainda enternecido e observo uma mulher, moradora de rua sentada no banco do calçadão, a ler atentamente uma brochura, destas de banca no formato “paperback”. Curioso de saber do que se trata, mas com o alcance limitado da vista, nada posso fazer a não ser imaginar que esta senhora de figura triste, talvez aparentando bem mais idade do que deveras tenha, esteja lendo “Irmãos Karamazov”, ou “No coração das trevas”... Confesso que não me surpreenderia, tenho certeza de que na rua vivem literatos e intelectuais verdadeiros, que cansado da hipocrisia mundana, simplesmente se retiraram desta “festa pobre”, e foram desfrutar da infinita liberdade de não serem mais ninguém a não ser eles mesmos...

Muita viagem. Mas não deixa de ser uma visão romântica da pobreza absoluta.

Hora de correr, e aí a observação cede o espaço para a verdadeira reflexão. Lista de coisas a fazer, comprar um pen drive, uma cueca, aproveitar que é quinta e ir à feira (e comprar mais do que apenas tomates), carregar músicas no MP3 player que, aliás, fiz o favor de esquecer.

No mais penso no futuro imediato, nos dias que se aproximam, planos, sonhos... Este último item aliás é a minha perdição. Sonhar é bom, mas caramba, vamos combinar que eu ando exagerando na medida a ponto de esquecer tudo o que é necessário ser feito para que pelo menos o mais simples destes desejos se realize... Nota a tomar: colocar o pé no chão, para aí sim conseguir voar...

Terminada a corridinha, bebo um iogurte batido com ameixa no Bibi pelo qual me cobram a exorbitância de seis reais, e sigo adiante.

Amanhã terei mais caminhada, mas salvo apareça alguma coisa digna de nota prometo escrever sobre outro assunto.

O set list de hoje é o barulho do tráfego na Barata Ribeiro e um ou outro som que chega da feira da rua em frente à minha janela.

Baccio!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Som, fúria, prêmio e transmissão de pensamento!


Estou vendo "Som e Fúria". Adorei "Maysa - Quando fala o coração", mas a nova minissérie certamente supera tudo o que já vi ultimamente! Este ano fomos presenteados com duas produções caprichadíssimas!

Vale a pena dar uma olhada, sei que passa tarde, eu mesmo estou assistindo no Globo.com. Meus amigos, ainda mais quem tem alguma vivência em teatro vai curtir à beça.

Estas coisas me dão orgulho. Gol de placa!

Hoje ganhei um prêmio. Eu e o Mineiro (idéia dele, convite dele, redação final dele), meu parceiro de trabalho, nos inscrevemos num concurso comemorativo dos 44 anos da empresa na qual trabalhamos, e depois mais ou menos dois meses de ansiedade o resultado... Ficamos em quarto lugar! O prêmio é uma filmadora... Mas o prêmio maior é o reconhecimento. Caramba, muito bom.

E por último (e nem de longe menos importante, pelo contrário, mais emocionante, por isso deixei pra fechar) a transmissão de pensamento!

Faz dias que estou pensando nos meus afilhados, na minha família, na falta monstruosa que tenho sentido deles... Faz tempo que eu quero ligar, mas não andava no meu melhor, e não queria passar tristeza para as pessoas que amo. Falo com minha mãe, mas travo geral para ligar para todos os outros... Pois então, agora há pouco, meu sobrinho e compadre me ligou, eu que achava que ele andava meio puto comigo, posso respirar sossegado... Esta semana vou ligar pra todo mundo, afinal estou entrando numa vibe legal, até acordando cedo pra correr na praia, vejam vocês...

Tá meio medíocre essa minha volta à escrita. Sem a minha ironia habitual ou muita elaboração. Mas o assunto também não é pra piadinhas, estou falando de estado de espírito e de emoções.

To pegando o ritmo, me aguardem, volto com tudo, e não demora muito.

Não tem trilha sonora.... To numa lan, sem ouvir nada que não seja os tec tec dos teclados ao redor, vozes perdidas e uma tv abafada...

Assim sendo, vou. Mas volto.

Beijo do gordo.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Voltando...

Mais de um mês depois... Pode me xingar.

Você fiel seguidor deste blog, deve estar magoado, e respondendo ao abaixo-assinado (hífen?) que eu recebi, estou aqui para dizer que não abandonei ninguém... apenas estava com outras prioridades...
Bom, explicação dada.
Boa noite.

SET LIST
The Winner Takes It All - ABBA

sábado, 10 de janeiro de 2009

Aracno Folia


Ontem fui ao Boteco Belmonte na esquina da Bolívar com a Domingos Ferreira com o Ivo e a Cris. Não queria beber, pois além de cansado, estou com uma ameaça de gripe, o que me fez optar pela Coca Light (na verdade Pepsi), que não precisa ser tão gelada quanto uma tulipa de chopp. Mas me acabei de comer os petiscos, uma perdição para mim.


O atendimento foi razoavelmente rápido para os padrões do estabelecimento, e conseguimos uma mesa na varanda, próxima ao caixa. O Ivo começou a se queixar de que havia formigas caindo em cima dele. Eu e a Cris rimos. Depois ele se queixou de novo. Achamos engraçado de novo, mas começamos a dar algum crédito. A gente estava embaixo de onde deveria ser uma saída do ar condicionado (com ou sem hífen, meu Deus?) Que passamos a observar, dada a insistência do guri em não parar de falar que as formigas estavam caindo em sua cabeça.


Ele estava enganado. Não tinha nenhuma formiga, inseto aliás que se é mesmo tão trabalhador como dizem, deveria estar dormindo, ao invés de estar passeando em cima dele. Quando olhei para o Ivo, lá estava ela, uma aranha média, marrom andando placidamente em sua cabeleira negra.


Cautelosamente peguei um vidro de pimenta Tabasco que estava sobre a mesa (coloquei a tampa por precaução, se eu fizesse algum estrago, o mal humor gerado pela queda coletiva de insetos passaria diretamente para a minha conta) e afastei o bicho que caiu na mesa. Claro que mesmo liberto da aranha, ele reclamou ainda do vidro de pimenta, num gesto de gratidão nos moldes muito peculiares dele. A aranha sumiu e reapareceu instantes depois perto de mim, que tratei de jogá-la no chão com um pedaço de guardanapo. Por causa do mimetismo causado pela cor do piso, não foi possível esmagá-la com o pé, fato que se tornou favorável quando passou o gerente para quem reclamamos das companhias indesejadas. Com incredulidade ele mencionou algo sobre fazerem uma limpeza no dia seguinte (Deve ter pensado que iríamos usar o incidente para não pagar a conta. Não o culpo, pois conheço gente exatamente assim...). Dominando minha repulsa peguei o guardanapo e vimos que ela ainda estava lá, ele então (ainda não achando a reclamação pertinente) sugeriu que mudássemos de mesa, o que aceitamos. Seguiria-se uma espera longa, com direito a novas quedas dos aracnídeos suicidas, quando lá, no ombro do gerente, alheia à situação, uma aranha idêntica à que eu tinha jogado no chão, caminhava ameaçadoramente para seu pescoço. Certo, estou dramatizando, mas foi mais ou menos isso sim. Eu avisei o rapaz, que à princípio não acreditou mas olhando para seu ombro mal conseguiu disfarçar o susto e numa fração de segundos fez um arremedo de dança tribal australiana para se livrar do bichinho.


Menos de dois minutos depois estávamos em outra mesa.


Hoje o tempo nublou. Dois dias de sol intenso que observei da janela do ônibus até chegar ao trabalho. E agora que eu estou fora do ônibus, pronto para uma verdadeira orgia de raios UV, o danadinho do astro-rei (agora coloquei o hífen, meio que de sacanagem mesmo) resolveu retocar a maquiagem.


Ou os monarcas são mesmo muito temperamentais, ou então verdade o velho clichê que alegria de pobre dura pouco...


Hoje tem a estréia de "Tom e Vinícius" no João Caetano. Vou até lá prestigiar e levar meu aplauso à minha querida e talentosa amiga Marilice Cosenza.


Por enquanto é só.


PS - Hoje não tem set list. Em inglês não preciso me preocupar com o hífen, já escrevo tudo errado mesmo.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Festa da Firma






Como havia escrito antes, eu e alguns colegas preparamos uma surpresinha na festa de final de ano da empresa. Uma brincadeira, um vídeo dizendo o que cada um teria feito depois que saísse do programa... Pilhéria pura mas deu medo de que algumas pessoas pudessem se ofender. Acho que não. Espero que não aliás.

Basta dizer que o meu destino (escolhido por mim mesmo) seria me tornar um alcoólatra que vende poesias nas calçadas da Lapa de madrugada. Deprimente. Mas eu tinha que pegar pesado comigo antes se quizesse brincar com os outros.

Lama...

Bebi todas e falei muita bobagem. Mordi a bunda de um amigo meu. Em determinadas ocasiões a amnésia alcoólica é uma benção. E a memória dos amigos uma maldição.

Não lembro das besteiras faladas, e nem da tal dentada, mas amigos caridosos me lembraram. Nestas horas paciência ou uma boa morte. Como estou escrevendo isso,vê-se que optei pela primeira.

"Todos dizem que eu falo demais, e que ando bebendo demais"...

Já disse que estou em rehab... mas hoje quando eu cheguei na minha mesa, vi que meu diretor (que está mudando de programa) deixou uma garrafa de cachaça para mim. Ele ganhou várias ao longo dos anos, e se desfez de todas hoje. Fiquei achando que era alguma (in)direta, mas vi que ele tinha deixado uma para cada membro da equipe.
Aliviado, agradeci o mimo.

Estou adorando "Maysa - Quando fala o coração". É uma das coisas mais legais que já vi na TV nos últimos tempos. Parabéns a todos envolvidos, está maravilhoso. E estou lendo o livro de Lira Neto "Maysa - Só numa multidão de amores", o qual foi consultado para a elaboração do texto da minissérie. Veja a série, leia o livro e acima de tudo... Ouça!!!


Anything Goes - Cole Porter (Cast of the movie)


É tão lindo - Balão Mágico e Roberto Carlos


OAM´s Blues - Aaron Goldberg


Despertar - Aisha Duo

Vaia - A primeira a gente nunca esquece


Este é o primeiro post do ano. Deveria ser o sétimo. Algumas pessoas lêem meu blog e isso me deixa feliz. Beijos para vocês, Carina, Daniela, Raphael e Bárbara. E para a Renata (Only Renata): adorei saber que você lê também. Beijão!


Feito o social, vamos aos fatos. Sim, caros leitores, fui ao show da Madonna. Falei um monte, pode parecer que era despeito e desespero, mas na hora "H" apareceu um ingresso (comprado, diga-se, ainda que não tão caro) e eu fui. Fui e vi. Posso dizer que eu gostei de ter ido, mas não tenho certeza se eu gostei realmente do show. Medo de ser apedrejado por dizer isso, mas é verdade. Que ela não é uma das melhores vozes cantantes por aí eu já sabia. Mas doeu um pouco ver o tanto de músicas que ela dubla. Ok, ela é uma performer, uma maga do entretenimento, tem sim a platéia na mão. Mas é questão de gosto. Sei que nas coreografias acrobáticas que ela faz não é possível sustentar a voz, por isso o recurso da dublagem. Entendo, mas não gosto. Simples assim.


A melhor parte do show para mim foi antes de ela entrar no palco. Estava eu com alguns amigos que eu havia encontrado por acaso por lá, e resolve-se então que devemos ir para o meio da pista. Isso no Morumbi lotado equivale a um rafting. Pois bem, embrenhados no bosque humano, procuramos um caminho e fomos.


Em dado momento, umas garotas irritadas pelas quatro pessoas que passaram por elas, na hora em que eu fui passar, não quiseram deixar. Segue o diálogo mais ou menos como foi :


Estressada 1 - Ei, chega! Aqui não passa mais ninguém!


André - Mas estou com eles...


Estressada 2 - Foda-se. Por aqui ninguém mais passa!


André - Peraí! Cadê os números das cadeiras? Não sabia que estava na numerada...

(sou um cínico filho da puta)


Estressada - Não tem essa! A gente está aqui há um tempão, não vai ficar passando não...


André - Calma aê... Isto aqui é um show, e você está na pista... não tem como impedir as pessoas de passarem.

(e fui andando, como um aríete)


Estressada 2 - Chegasse mais cedo!!


André - Comprasse numerada. Ou vip.


Bichinha Estressada com Barba Leão Lobo Que Se Meteu No Papo - Muita folga!!! (puxando a vaia) Uhhhhhhhhhhhhh


Estressada 1 / Estressada 2 / Bichinha Estressada com Barba Leão Lobo Que Se Meteu No Papo / Curiosos / Simpatizantes - Uhhhhhhhhhhhhh!!!!


André (agradecendo teatralmente) - Obrigado, obrigado!!!!


E passei pelas amarguradas baixinhas, na frente das quais acabei ficando, sem dor nem culpa.


Fiquei até o final do show orgulhoso pela vaias. Tive a absoluta certeza de que eu não sou medíocre. Pessoas medíocres não ganham vaias ou aplausos. Sempre que eu me sentir mal daqui pra frente vou lembrar que assim como Caetano Veloso, eu já fui vaiado. E num show da Madonna. Já fui aplaudido também mas isso é outra história.


Saindo do show fui andando até o hospital São Luiz onde estava o carro (impossível estacionar lá perto), meia hora de caminhada, pois nenhum táxi parava, e de lá rumeir para a Bela Paulista, assim como metade do Estádio do Morumbi... Imagine como fomos atendidos... Enfim... Pode parecer que foi uma roubada, mas não. Uma tremenda aventura, valeu a pena.




4 minutes - Madonna featuring Justin Timberlake

Like a Virgin - Madonna

21st Century Life - Sam Sparro

Hot Mess - Sam Sparro

Rush Rush - Paula Abdul

I´ll be there for you - The Rembrandts

I like Chopin - Gazebo

Take my heart - Kool and the Gang

Disco lies - Moby

The Rumour - Olivia Newton-John (Dj Speed Bass Disco Remix 2007 2008) Hardcore Hadhouse)

Tied Up - Olivia Newton-John (Remix)

Every breath you take - The Police

Dancing Queen - Abba
Superfantástico - Balão Mágico